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Vencedor de campeonato de FIFA, Lucas Tabata não pode representar o Brasil em torneio nos Estados Unidos: "Foi um duro golpe receber o não"

Enquanto o Brasil começa a crescer cada vez mais nos eSports , a burocracia pode atrapalhar voos mais altos do País em torneios internacionais de algumas modalidades. Em novembro do ano passado, Lucas Tabata , de 21 anos, venceu o  FIFA Hero League no Brasil e conquistou o direito de representar o País na etapa de Miami, nos Estados Unidos, mas foi obrigado a abrir mão do sonho porque teve o visto americano negado.

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O brasileiro Lucas Tabata não conseguiu visto para disputar um campeonato de eSports nos Estados Unidos
Divulgação
O brasileiro Lucas Tabata não conseguiu visto para disputar um campeonato de eSports nos Estados Unidos

"Foi um duro golpe receber o não, todos os outros brasileiros conseguiram o visto e apenas eu não consegui. Foi uma decepção enorme", contou Lucas Tabata em entrevista ao iG . Ele tentou tirar um visto de negócios e depois um de turismo, já que não há uma legislação específica em relação a atletas de eSports .

De acordo com o atleta brasileiro, a EA, desenvolvedora do game e organizadora dos torneios, tentou ajudar no trâmite, mas não conseguiu resolver a situação. "No meu primeiro visto negado, eles quiseram tentar novamente e foi o que fizemos. Após o segundo não, eles disseram que não tinha mais tempo pra tentar outra vez", contou Lucas.

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O caso dele não é isolado no cenário brasileiro de eSports. Em 2016, o brasileiro Allan Castello, também jogador de FIFA, não pode participar de um torneio da modalidade nos Estados Unidos por ter o visto negado. No mesmo ano, a equipe Operation Kino também foi obrigado a desistir do Americas Minor Championship de Counter-Strike pelo mesmo motivo.

Segundo Tabata, a justificativa para que seu visto não fosse emitido foi a falta de evidências de que ele voltaria para o Brasil após o torneio. "Nas duas vezes, a justificativa foi que eu não comprovei que iria voltar para o País", disse. Esse motivo costuma ser o mesmo apresentado pelo consulado para outros players.

Sem vantagens

Lucas Tabata, de 21 anos, ganhou o FIFA 17 Hero League
Reprodução/Twitter
Lucas Tabata, de 21 anos, ganhou o FIFA 17 Hero League

Em contato com o iG , a assessoria de imprensa da embaixada dos Estados Unidos disse que o setor consular não comenta casos particulares, mas informou que os jogadores podem solicitar vistos de turismo ou de negócios. De acordo com informações oficiais, a segunda categora é a mais solicitada pelos players.

A assessoria ainda informou que os jogadores podem solicitar o visto P1, usado para atletas, artistas e profissionais do ramo de entretenimento, mas apenas quando eles viajam para os Estados Unidos por meio de uma petição solicitada por uma instituição americana que irá patrocinar o evento.

Desde 2013, os consulados dos Estados Unidos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, passaram a tratar os jogadores de League of Legends como esportistas profissionais. Entretanto, a facilidade ainda não foi aplicada para atletas de outras modalidades.

Para Lucas Tabata, tudo o que aconteceu foi bastante prejudicial. "Perdi vários jogos em campeonatos online por conta da falta de motivação pra continuar jogando. Fiquei duas semanas sem ligar o videogame", afirmou. Mesmo assim, ele conseguiu se classificar para uma etapa do campeonato regional de FIFA, que acontece no Canadá em 22 de abril.

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O jogador pede que a situação envolvendo atletas de eSports e a burocracia do visto americano seja resolvida. "Não podemos perder oportunidades assim porque o governo americano acha que não vamos voltar para o Brasil", desabafou.

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